Estudo Técnico · Categoria IEGM

Estudo IEGM: panorama dos 644 municípios paulistas, alcance nacional e o que as boas práticas reconhecidas pelo TCESP ensinam

Atualizado em outubro de 2026 · Autor: Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions

Convenção: Fato observado (dado de fonte identificada), Leitura (interpretação da Ana Smart), Limite (o que a fonte não permite afirmar).

Bases usadas:

  • Resultados do IEG-M 2025, exercício 2024, dos 644 municípios jurisdicionados ao TCESP, organizados no Estudo Tecnologia da Ana Smart (setembro e outubro de 2026).
  • Catálogo de Boas Práticas IEG-M do TCESP: 22 práticas, com transcrição dos 22 vídeos (Estudo Boas Práticas IEGM, 02 a 06/10/2026).
  • Portal IEGM Brasil do IRB (exercício 2024), notícias e comunicados do TCESP.

1. Resumo executivo

  1. O IEGM é hoje um índice nacional. O portal do IRB registra, no exercício 2024, 18 unidades da federação (17 estados e o Distrito Federal) e 2.623 municípios. Somados os 644 municípios paulistas do TCESP, que publica seus resultados à parte, são cerca de 3.267 municípios avaliados.
  2. Em São Paulo, 84,5% das prefeituras estão em C ou C+. No exercício 2024, nenhum município obteve A no IEGM geral, 3 obtiveram B+, 97 obtiveram B, 261 ficaram em C+ e 283 em C.
  3. Houve melhora sobre o ciclo anterior, sem mudar o quadro. No exercício 2023, o TCESP registrou 78 municípios em B e nenhum acima disso. No exercício 2024, são 100 em B ou B+.
  4. A dimensão de tecnologia é a que tem mais notas A. São 38 municípios com i-Gov TI A, contra 17 no i-Cidade, 2 no i-Plan e nenhum nas demais. O i-Plan é a dimensão mais crítica: 533 municípios (82,8%) em C.
  5. Ter boa nota em tecnologia ajuda e não basta. Entre os 124 municípios com i-Gov TI A ou B+, 77 (62,1%) seguem com IEGM geral em C ou C+.
  6. 63,4% dos municípios declaram não ter PDTIC (408 de 644). O TCESP, em vídeo de 10/10/2025, afirma que quase 70% não possuem plano diretor de tecnologia (IEG-M 2024, ano-base 2023).
  7. As boas práticas do TCESP são de municípios acima da média, mas não de municípios perfeitos. Os 19 municípios do catálogo têm 42,1% de i-Gov TI A (contra 5,9% no estado) e nenhum tem IEGM geral A ou B+. O próprio Tribunal registra uma ressalva em 19 dos 22 vídeos.
  8. O que se repete nas práticas é método, e não ferramenta: meta, prazo, responsável e status; base legal local; servidor efetivo ou contrato bem planejado; dado compartilhado entre áreas; publicidade ativa.

2. O IEGM no Brasil

Fato observado. TCESP, 29/04/2016: o IEGM foi lançado pelo TCESP em 2014, com os primeiros dados consolidados em 2015. A Rede Nacional de Indicadores Públicos (Rede Indicon) foi criada pelo IRB em 18/04/2016 com o objetivo de implantar o índice em todo o país, e 16 Tribunais assinaram o termo de adesão naquele ano.

Fato observado. Portal IEGM Brasil, IRB, consultado em 19/10/2026, exercício 2024:

Região UF e Tribunal (municípios) Municípios
NorteAC, TCE-AC (22); AM, TCE-AM (41); AP, TCE-AP (16); RO, TCE-RO (52)131
NordesteAL, TCE-AL (93); BA, TCM-BA (361); MA, TCE-MA (116); PB, TCE-PB (141); PI, TCE-PI (187); SE, TCE-SE (73)971
Centro-OesteDF, TCDF (1); GO, TCM-GO (217); MS, TCE-MS (55); MT, TCE-MT (115)388
SudesteMG, TCE-MG (769); RJ, TCE-RJ (67) e TCM-RJ (1); SP, TCM-SP (1)838
SulSC, TCE-SC (295)295
Total IRB18 UFs, 19 Tribunais2.623

Fato observado. TCESP: os 644 municípios paulistas (todos, exceto a capital) são avaliados pelo TCESP, com resultados publicados pelo próprio Tribunal.

Fato observado. TCE-RN: o Tribunal informa em seu portal que aderiu à Rede Indicon e apura o IEGM anualmente; o IEGM 2026 foi apresentado pelo TCE-RN em fórum de março de 2026.

Leitura. Somando o IRB (2.623) e o TCESP (644), o IEGM alcança cerca de 3.267 dos 5.570 municípios do país, perto de 59%, sem contar o RN. Minas Gerais (769), São Paulo (644) e Bahia (361) concentram 54% desse total.

Limite. Ceará, Espírito Santo, Pará, Roraima, Rio Grande do Sul e Tocantins assinaram o termo de 2016 segundo o TCESP e não aparecem no portal do IRB do exercício 2024. Este estudo não verificou se aplicam o índice por conta própria. Pernambuco e Paraná também não constam. Cada Tribunal tem manual próprio, então notas de estados diferentes não devem ser comparadas diretamente sem conferir as regras.

3. São Paulo: a distribuição das notas

Fato observado. IEG-M 2025, exercício 2024, 644 municípios (base TCESP organizada no Estudo Tecnologia):

Dimensão A B+ B C+ C A ou B+ C ou C+
IEGM geral03972612833 (0,5%)544 (84,5%)
i-Plan210514853312 (1,9%)581 (90,2%)
i-Fiscal05034412812250 (7,8%)250 (38,8%)
i-Educ03524419616935 (5,4%)365 (56,7%)
i-Saúde0613431627861 (9,5%)240 (37,3%)
i-Amb01910210841519 (3,0%)523 (81,2%)
i-Cidade1757768141374 (11,5%)494 (76,7%)
i-Gov TI388610496320124 (19,3%)416 (64,6%)

Fato observado. TCESP, notícia de 12/02/2025 (IEG-M 2024, exercício 2023): a nota mais alta alcançada foi B, com 78 municípios; 223 ficaram em C+ e 343 em C. O título da notícia afirma falta de efetividade em 87% das administrações.

Faixa do IEGM geral Exercício 2023 Exercício 2024 Variação
B+03+3
B7897+19
C+223261+38
C343283-60

Leitura. O movimento foi de saída da faixa C: 60 municípios a menos. A maior parte foi para C+. A faixa A segue vazia, e a regra das cinco dimensões em A explica parte disso: só i-Gov TI, i-Cidade e i-Plan tiveram algum município em A no exercício 2024.

Leitura. Planejamento é o gargalo. O i-Plan pesa 20% e tem 82,8% dos municípios em C. Os dois quesitos de maior peso do i-Plan (250 pontos cada) são calculados pelo Tribunal a partir da coerência entre indicadores, metas físicas e recursos usados. Não se resolvem no questionário: dependem de PPA, LDO e LOA com metas mensuráveis e acompanhadas.

Limite. A comparação entre ciclos usa as contagens da notícia do TCESP para o exercício 2023 e a base de resultados para o exercício 2024. O questionário muda pouco de um ciclo a outro, mas muda.

4. Tecnologia: o i-Gov TI e o PDTIC

Fato observado. TCESP, vídeo do Núcleo de Boas Práticas sobre o PDTI de Cesário Lange, 10/10/2025: "Quase 70% dos municípios não possuem plano diretor de tecnologia da informação" (IEG-M 2024, ano-base 2023).

Fato observado. Estudo Tecnologia, exercício 2024: 408 de 644 municípios (63,4%) declaram não possuir PDTIC. Entre os 236 que declaram, a verificação documental (corte de 06/10/2026) localizou documento próprio e vigente no ano-base em 111 municípios (17,2% do estado), e documento próprio considerado, incluindo planos posteriores ao ano-base ou sem vigência declarada, em 186 (28,9%).

Fato observado. Estudo Tecnologia: entre os municípios que declaram PDTIC, 25,8% têm IEGM geral B ou superior; entre os que não declaram, 9,6%. A diferença se mantém por porte.

Leitura. O PDTIC funciona como marcador de capacidade de gestão. Escrever o plano não sobe a nota por si; quem consegue produzir, aprovar, publicar e manter um plano vigente tende a organizar também o resto da gestão.

Limite. Associação não é causalidade. O estudo é transversal, de um exercício.

5. O que as 22 boas práticas do TCESP ensinam

Fato observado. Catálogo de Boas Práticas IEG-M do TCESP, consultado de 02 a 06/10/2026: 22 práticas, cada uma com vídeo, índice, porte e ODS. O catálogo traz o aviso do Tribunal de que a seleção não garante notas altas no IEG-M nem interfere na apreciação das contas.

Aviso do TCESP: Segundo o TCESP, a seleção de boas práticas não garante notas altas no IEG-M nem interfere na apreciação das contas. A implementação é critério de cada município.

5.1 Distribuição

Dimensão Práticas Municípios
i-Educ6Emilianópolis (2), Jundiaí, Jacareí, Floreal, Vinhedo
i-Gov TI4Cesário Lange (PDTI), Jundiaí, Presidente Venceslau, Pedreira (serviços digitais)
i-Saúde4Bastos, Águas de Lindóia, Guaíra, Indaiatuba
i-Plan2Santos (ouvidoria), Cajati (controle interno)
i-Amb2Adamantina (compostagem), Colômbia (coleta seletiva)
i-Cidade2Botucatu (cidade resiliente), Alto Alegre (plano de contingência)
i-Fiscal1Itirapina (participação no ICMS)
Multidimensional1Jundiaí (horta orgânica)

5.2 Afirmações do TCESP que servem de referência

Afirmação do TCESP Vídeo Ciclo
Quase 70% dos municípios não possuem plano diretor de tecnologia da informaçãoCesário Lange, 10/10/2025IEG-M 2024, ano-base 2023
65% dos municípios oferecem menos de 50% dos serviços online da lista do IEG-MPresidente Venceslau; repetida em Pedreira, 07/10/2025IEG-M 2023, ano-base 2022
39% dos municípios ainda não formalizaram seus protocolos de acesso na saúdeBastos, 03/09/2026IEG-M
Nenhum município obteve A no i-Educ; cerca de 64% ficaram em C+ ou piorEmilianópolis, 10/10/2025; Floreal, 09/10/2025IEG-M 2024, ano-base 2023
Cerca de 33% dos municípios não têm coleta seletivaColômbia, 07/10/2025IEG-M 2024, ano-base 2023
Com meta de 80%, 49% dos 644 municípios não atingiram a cobertura da BCGIndaiatuba, 07/10/2025DATASUS
86% dos municípios têm cronograma de metas do Plano Municipal de Educação; 49,8% relataram cumprir todasVinhedo, 03/03/2026IEG-M

5.3 Os padrões que se repetem

Padrão Onde aparece Leitura
Meta, prazo, responsável e statusPDTI de Cesário Lange; auditoria de Cajati; PME de Vinhedo; PDTIC de PedreiraO TCESP destaca o acompanhamento periódico como o que dá efetividade ao plano
Plano ligado ao orçamentoPedreira (ações no PPA, LDO e LOA); lacuna na LOA apontada em Cesário LangeO mesmo vínculo aparece como acerto em um caso e como falha no outro
Base legal localPresidente Venceslau, Adamantina, Emilianópolis, VinhedoA prática vem com lei, decreto ou resolução
Dado compartilhado entre áreasÁguas de Lindóia (sistema único de saúde), Bastos, Guaíra (planilha compartilhada entre hospital e atenção primária)Integração aparece como causa do resultado, mesmo com ferramenta simples
Publicidade ativaSantos (inteiro teor das manifestações), Cajati (relatório quadrimestral), Pedreira (serviços prestados por período)Transparência faz parte da prática
Receita ou fonte externaPresidente Venceslau (tarifas de credenciamento), Jundiaí (venda do aplicativo), Adamantina (cooperação internacional), Itirapina (índice de participação no ICMS)Cinco práticas mostram como a ação se paga ou o que arrecada

5.4 Três caminhos para nota A em tecnologia

Os três municípios com prática de serviços digitais no catálogo têm i-Gov TI A e chegaram lá por modelos diferentes.

Modelo Município Como entrega, segundo o TCESP Equipe de TI na base IEG-M
Companhia própriaJundiaíAplicativo da companhia municipal de informática, mais de 20 áreas, mais de 150 mil downloads desde 201776 concursados em 103 pessoas
Equipe concursada autofinanciadaPresidente VenceslauSistemas próprios pagos por tarifas de credenciamento: mais de R$ 352 mil de receita contra cerca de R$ 197 mil de despesa com a equipe, de janeiro a julho de 20257 concursados em 7
Contratação por pregão eletrônicoPedreiraA prefeitura "não tinha estrutura ou conhecimento de informática suficiente", contratou serviços comuns por pregão e planejou a ação no PPA, na LDO e na LOA5 concursados em 12

Leitura. Não existe um único modelo certo. O que os três têm em comum é planejamento e acompanhamento. A ressalva do TCESP sobre Presidente Venceslau, de que a prefeitura ainda mantém contratos de software de contabilidade e tributação, mostra que até a equipe própria convive com sistemas de terceiros.

5.5 O que o TCESP elogia e o que aponta como falta no PDTI de referência

Fato observado. TCESP, vídeo de 10/10/2025, PDTI de Cesário Lange (i-Gov TI A de 2020 a 2023, segundo o vídeo):

Elogiado Apontado como falta
Ações com metas, prazos e responsáveis, horizonte de 2 anosProgramas e indicadores de TI sem detalhamento na LOA
Monitoramento periódico com prazo, status e resultado de cada açãoAusência de pesquisa de satisfação dos usuários
Forças e fraquezas do município, escuta dos usuários, uso dos manuais federais e das diretrizes do IEG-M
Plano de continuidade com três planos: operacional, administração de crise, recuperação de desastres

Fato observado. Estudo Tecnologia: o link de PDTIC que Cesário Lange declarou ao IEG-M levava a uma página de erro em 13/09 e em 02/10/2026. O plano existe e foi obtido por download manual em 06/10/2026.

Leitura. Até no caso escolhido como referência, plano bom e plano acessível são coisas diferentes. Publicar em endereço permanente é parte da prática.

5.6 Boa prática setorial não é nota geral

Fato observado. Cruzamento dos 19 municípios do catálogo com o IEG-M 2025, exercício 2024:

Medida 19 municípios do catálogo Estado (644)
i-Gov TI A8 (42,1%)38 (5,9%)
PDTIC declarado15 (78,9%)236 (36,6%)
IEGM geral B ou B+11 (57,9%)100 (15,5%)
IEGM geral C ou C+8 (42,1%)544 (84,5%)
IEGM geral A ou B+03

Leitura. O Tribunal reconhece práticas em municípios bons, e mesmo esses ficam no máximo em B. Emilianópolis tem prática reconhecida em educação com i-Gov TI C, sem PDTIC e uma pessoa em TI. Alto Alegre foi de C para A no i-Cidade sem PDTIC declarado. A prática isolada funciona; o que falta é sustentar e ampliar.

Limite. A amostra de 19 é escolhida pelo TCESP. Os percentuais descrevem o grupo e não permitem inferência sobre o estado.

5.7 Lacuna para o município muito pequeno

Fato observado. Nenhuma das 4 práticas de tecnologia do catálogo é de município de até 5.000 habitantes. Na base do exercício 2024, 149 municípios paulistas têm até 5.000 habitantes, e 7 deles têm i-Gov TI A ou B+. Borá, com 928 habitantes, tem i-Gov TI A, 3 pessoas em TI e PDTIC elegível no Estudo Tecnologia.

Leitura. O município pequeno, que é a maioria, não tem referência oficial em tecnologia. Os sete municípios com nota alta são o ponto de partida para uma.

6. Recomendações ao gestor

  1. Começar pelo i-Plan: é a dimensão de 20% com pior distribuição, e o ganho vem de metas mensuráveis ligadas ao orçamento.
  2. Tratar as dimensões de 5% como condição de nota A, e não como detalhe.
  3. Transformar cada plano exigido (PDTIC, PME, PLANCON, plano de resíduos) em rotina com meta, prazo, responsável, status e revisão.
  4. Publicar planos em endereço permanente, com o ato oficial de aprovação.
  5. Usar as boas práticas do TCESP como referência de método, lembrando o aviso do Tribunal de que elas não garantem nota.
  6. Simular a nota antes do prazo de resposta, com as regras do manual.

7. Fontes

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