"Como conseguir nota A no IEGM" é uma das buscas mais comuns sobre o índice. A resposta começa por um dado que pouca gente conhece: no exercício 2024, nenhum dos 644 municípios paulistas chegou lá. Três ficaram em B+. Entender por que ajuda a escolher onde trabalhar.
A regra
Manual do IEGM do TCESP, capítulo de faixas de resultado: a nota A, altamente efetiva, exige IEGM maior ou igual a 90% da nota máxima e ao menos cinco índices componentes com nota A.
O manual explica a razão: três dimensões (meio ambiente, defesa civil e tecnologia) têm peso menor na conta, e resultados fracos nelas não derrubariam muito a nota geral, mas indicariam uma gestão menos ampla. A regra das cinco dimensões impede que a prefeitura chegue à nota máxima cuidando só das quatro áreas de 20%.
Onde estão as notas A hoje
No exercício 2024, entre os 644 municípios paulistas:
| Dimensão | Municípios com A |
|---|---|
| i-Gov TI | 38 |
| i-Cidade | 17 |
| i-Plan | 2 |
| i-Educ, i-Saúde, i-Fiscal, i-Amb | 0 |
Ou seja, nenhum município tem A em cinco dimensões, porque quatro delas não tiveram nenhum A. A nota A no geral é, hoje, um objetivo de médio prazo, e o caminho passa por educação, saúde, fiscal e meio ambiente.
TCESP, vídeo de Emilianópolis, 10/10/2025: no IEG-M 2024 (ano-base 2023), nenhum município obteve A no i-Educ.
Os rebaixamentos que anulam o esforço
O manual traz regras que tiram uma faixa da dimensão, independentemente do questionário:
- Despesa com pessoal do Executivo acima de 54%: i-Fiscal cai uma faixa.
- Operações de crédito maiores que as despesas de capital liquidadas: i-Fiscal cai uma faixa.
- FUNDEB abaixo de 90% aplicado, ou profissionais da educação abaixo de 70%, ou educação abaixo de 25%: i-Educ cai uma faixa.
- Saúde abaixo de 15%: i-Saúde cai uma faixa.
- Aterro com IQR inadequado: i-Amb cai uma faixa.
- Descumprimento do art. 29-A da Constituição: dimensão vai para C.
Antes de buscar pontos no questionário, a prefeitura precisa garantir que nenhum desses gatilhos dispare.
Onde está o maior ganho
1. Planejamento. O i-Plan pesa 20% e tem 533 municípios paulistas em C (82,8%). Os dois quesitos de maior peso, 250 pontos cada, medem a coerência entre indicadores, metas físicas e recursos usados. Não há atalho: PPA, LDO e LOA com metas mensuráveis e acompanhamento que retroalimenta o replanejamento.
2. Dimensões de 5% como degrau. i-Gov TI e i-Cidade são as dimensões em que já existem notas A. Elas não sobem muito o número geral, mas contam para as cinco dimensões em A. E dependem mais de estrutura e de plano do que de indicador externo.
3. Planos que viram rotina. O questionário pergunta, em sequência, se o plano existe, se está vigente, o que contempla, onde está publicado e se as metas estão no prazo. PDTIC, Plano Municipal de Educação, plano de resíduos, plano de saneamento e PLANCON seguem esse padrão. O plano com meta, prazo, responsável e status ganha em todas as perguntas da sequência.
4. Evidência durante o ano. Montar a pasta de evidências em março, no prazo de resposta, é tarde. O que não foi feito ou registrado no ano-base não conta.
O que o Tribunal reconhece no caminho
Os municípios das boas práticas do catálogo do TCESP também não têm nota A no geral. Dos 19, onze estão em B e oito em C ou C+. O que eles mostram é o método que move cada dimensão: Alto Alegre saiu de C para A no i-Cidade com coordenadoria de defesa civil, plano de contingência, mapeamento de ameaças e simulados; Pedreira manteve i-Gov TI A de 2022 a 2024 com serviços digitais planejados no PPA, na LDO e na LOA.
Resumo
Nota A no IEGM exige 90% da nota máxima e cinco dimensões em A. Hoje, em São Paulo, só três dimensões têm algum município em A. O caminho é evitar rebaixamentos, atacar o planejamento, usar as dimensões de 5% como degrau e transformar cada plano em rotina com evidência.
Fontes
- TCESP, Manual do IEGM 2024, capítulos de faixas e regras de faixas
- TCESP, Catálogo de Boas Práticas IEG-M
- Ana Smart Solutions, Estudo Tecnologia (IEG-M 2025, exercício 2024) e Estudo Boas Práticas IEGM (02 a 06/10/2026)