Série IEGM · Parte 6 de 6

Gestão Pública e Compliance

Planejamento: a dimensão que segura a nota de 90% das prefeituras paulistas

Publicado em 19 out 2026 · Atualizado em 19 de outubro de 2026 · 5 min de leitura · Autor: Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions
Painel de governança municipal e indicadores do IEGM na gestão pública brasileira

Se existe uma dimensão do IEGM que explica por que as prefeituras paulistas não saem de C, é o planejamento. O i-Plan pesa 20% da nota geral e, no exercício 2024, teve 533 dos 644 municípios em C, 82,8%. Somados os 48 em C+, são 90,2%.

Os números

Faixa do i-Plan Municípios (exercício 2024)
A2
B+10
B51
C+48
C533

Nenhuma outra dimensão de peso 20% tem distribuição tão concentrada na faixa mais baixa. No i-Saúde, por exemplo, são 78 municípios em C. No i-Fiscal, 122.

TCESP, 12/02/2025, sobre o exercício 2023: no planejamento, 9 municípios foram classificados como muito efetivos (B+) e 524 receberam a nota mais baixa (C).

Por que o questionário não resolve

Os três quesitos de maior peso do i-Plan, segundo a planilha de instrução do TCESP (exercício 2024), são:

Quesito Pontuação máxima Natureza
Coerência entre os resultados dos indicadores dos programas e as metas das ações250Calculado pelo Tribunal
Confronto entre o resultado físico das metas e os recursos financeiros usados250Calculado pelo Tribunal
Pontualidade na entrega das peças de planejamento150Calculado pelo Tribunal

São 650 dos 1.000 pontos da dimensão. Nenhum deles depende de resposta. Dependem de o PPA ter programas com indicadores mensuráveis, de a LOA ter metas físicas coerentes com o dinheiro, de a execução ser acompanhada e de os documentos chegarem no prazo.

O resto do i-Plan pergunta exatamente isso: quais aspectos são analisados no acompanhamento do PPA, se os indicadores são mensuráveis e coerentes, se o acompanhamento da execução retroalimenta o replanejamento, quais planos setoriais foram incorporados ao PPA, quais itens atestam a compatibilidade entre LOA, PPA e LDO.

O que o Tribunal reconhece no planejamento

Duas das 22 boas práticas do catálogo do TCESP são de planejamento, e as duas têm ressalvas que ajudam a entender o tamanho do desafio.

Controle interno de Cajati. TCESP, vídeo do catálogo: legislação regulamentadora, servidor efetivo na carreira, plano operativo anual publicado, objetos de auditoria alinhados aos programas de governo, ao IEG-M e aos ODS, matriz de risco, prazo de 10 dias úteis para documentos e 3 para manifestação, relatório quadrimestral publicado. Ressalva do próprio Tribunal: o município mantém o i-Plan na faixa C e o resultado geral em C+.

Ouvidoria de Santos. TCESP, vídeo do catálogo: 97% das ocorrências respondidas no prazo, 87% encerradas, inteiro teor das manifestações acessível ao público, relatório anual com recomendações a cada secretaria. Na base do exercício 2024, Santos tem i-Plan C.

A leitura é direta: controle interno e ouvidoria bem estruturados são boas práticas, e mesmo assim não tiram o município da faixa C, porque o peso está na coerência entre plano, orçamento e resultado.

Aviso do TCESP, no catálogo de Boas Práticas IEG-M: a seleção de boas práticas não garante notas altas no IEG-M nem interfere na apreciação das contas; a implementação é critério de cada município.

O exemplo de planejamento que funcionou em outra dimensão

TCESP, vídeo de Pedreira, 07/10/2025: as ações de serviços digitais foram inseridas no PPA, na LDO e na LOA, formalizadas em lei e acompanhadas no relatório de atividades enviado ao Tribunal. O município tem i-Gov TI A de 2022 a 2024. É o vínculo que o TCESP aponta como falta no PDTI de Cesário Lange, cujos programas e indicadores de TI não estavam detalhados na LOA.

O que vale para um plano de tecnologia vale para todos: o plano setorial que não chega ao orçamento como programa, com indicador e meta física, não aparece na coerência que o i-Plan mede.

O que fazer no primeiro ano do mandato

O exercício 2025 é o primeiro do mandato e o do novo PPA. Estudo comparativo da Ana Smart, 07/10/2026: o questionário do exercício 2025 passa a referir o PPA 2026 a 2029, a LDO e a LOA de 2026 e as audiências quadrimestrais de maio e setembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Para quem vai responder o exercício 2026 e os seguintes:

  1. Rever os programas do PPA para que cada um tenha indicador mensurável e meta física.
  2. Levar os planos setoriais (saúde, educação, saneamento, resíduos, tecnologia) para dentro do PPA como programas, e registrar quais foram incorporados.
  3. Acompanhar a execução física, e não só a financeira, ao longo do ano.
  4. Usar o acompanhamento para replanejar, e registrar que isso foi feito.
  5. Cumprir os prazos de entrega das peças, que valem 150 pontos.

Resumo

O i-Plan concentra 90% dos municípios paulistas em C ou C+ porque mede coerência entre plano, orçamento e resultado, e essa coerência é calculada pelo Tribunal. Não há resposta que a substitua. Há rotina de planejamento que a constrói.

Fontes

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