Série IEGM · Parte 5 de 6

Gestão Pública e Compliance

O que as 22 boas práticas do TCESP ensinam sobre o IEGM

Publicado em 19 out 2026 · Atualizado em 19 de outubro de 2026 · 6 min de leitura · Autor: Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions
Painel de governança municipal e indicadores do IEGM na gestão pública brasileira

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo mantém um catálogo de boas práticas do IEG-M. São 22 práticas, cada uma apresentada em vídeo pelo Núcleo de Boas Práticas, com a dimensão, o porte do município e os ODS. A Ana Smart transcreveu os 22 vídeos e cruzou os 19 municípios com os resultados do IEG-M 2025, exercício 2024.

Aviso do TCESP, no próprio catálogo: a seleção de boas práticas não garante notas altas no IEG-M nem interfere na apreciação das contas; a implementação é critério de cada município.

O que o catálogo tem

Dimensão Práticas
Educação6
Tecnologia4
Saúde4
Planejamento2
Meio ambiente2
Defesa civil2
Fiscal1
Multidimensional1

Os vídeos seguem um formato: o Tribunal abre com os problemas comuns da dimensão, apresenta a prática e fecha, na maioria dos casos, com uma ressalva. Em 19 dos 22 vídeos há uma limitação apontada pelo próprio TCESP.

Cinco padrões que se repetem

1. Meta, prazo, responsável e status. O TCESP descreve o PDTI de Cesário Lange com ações por metas, prazos e responsáveis e monitoramento periódico com prazo, status e resultado de cada ação. O controle interno de Cajati tem processo por auditoria com prazo de 10 dias úteis para documentos e 3 para manifestação. O Plano Municipal de Educação de Vinhedo é acompanhado em reunião anual, com as estratégias implementadas, em implementação e não iniciadas.

2. Plano ligado ao orçamento. TCESP, vídeo de Pedreira, 07/10/2025: as ações de serviços digitais foram inseridas no PPA, na LDO e na LOA, formalizadas em lei e acompanhadas no relatório de atividades enviado ao Tribunal, o que o vídeo chama de ação "que teve um planejamento bem realizado". No caso de Cesário Lange, o Tribunal aponta o contrário como falta: programas e indicadores de TI sem detalhamento na LOA.

3. Base legal local. Leis complementares de 2020 e 2021 em Presidente Venceslau; lei municipal de incentivo a produtores em Adamantina; resolução que define responsabilidades da busca ativa em Emilianópolis; lei do Plano Municipal de Educação em Vinhedo.

4. Dado compartilhado entre áreas. Águas de Lindóia usa um único sistema em todos os setores da saúde. Guaíra garantiu a transição do cuidado de 100% das puérperas em 2024 com uma planilha de monitoramento compartilhada entre hospital e atenção primária. O resultado vem do processo e do dado comum, não da sofisticação da ferramenta.

5. Publicidade ativa. Santos publica o inteiro teor das manifestações da ouvidoria, com busca por palavra-chave. Cajati publica o relatório quadrimestral do controle interno. Pedreira mostra no site os serviços prestados por período.

Três caminhos para A em tecnologia

As três práticas de serviços digitais são de municípios com i-Gov TI A, por caminhos diferentes:

Município Modelo, segundo o TCESP
JundiaíCompanhia municipal de informática, aplicativo com mais de 20 áreas e mais de 150 mil downloads desde 2017
Presidente VenceslauEquipe de servidores concursados paga pelas receitas dos sistemas que ela mesma desenvolve: mais de R$ 352 mil de receita contra cerca de R$ 197 mil de despesa com a equipe, de janeiro a julho de 2025
PedreiraA prefeitura "não tinha estrutura ou conhecimento de informática suficiente" e contratou serviços comuns por pregão eletrônico, com planejamento orçamentário

Não há um modelo único. Há planejamento e acompanhamento nos três.

O que os números dos 19 municípios mostram

Medida 19 municípios do catálogo Estado (644)
i-Gov TI A42,1%5,9%
Declaram PDTIC78,9%36,6%
IEGM geral B ou B+57,9%15,5%
IEGM geral A ou B+nenhum3 municípios

Os municípios reconhecidos estão bem acima da média, sobretudo em tecnologia. Ainda assim, nenhum tem IEGM geral A ou B+, e alguns têm prática premiada em uma dimensão com nota baixa em outra. Emilianópolis tem prática reconhecida em educação e i-Gov TI C, sem PDTIC e com uma pessoa em TI. A prática setorial funciona; o desafio é sustentar e ampliar.

O caso que mais ensina

O PDTI que o TCESP usa como referência é o de Cesário Lange, com i-Gov TI A de 2020 a 2023 segundo o vídeo. No levantamento da Ana Smart, o link desse PDTI declarado ao IEG-M levava a uma página de erro em setembro e outubro de 2026. O plano existe e foi obtido por download manual. A lição vale para todos: plano bom e plano acessível são coisas diferentes, e publicar em endereço permanente é parte da prática.

Uma lacuna

Nenhuma prática de tecnologia do catálogo é de município de até 5.000 habitantes. São 149 municípios paulistas nesse porte, e sete deles têm i-Gov TI A ou B+. Borá, com 928 habitantes e três pessoas em TI, tem i-Gov TI A. É o tipo de caso que falta como referência para a maioria dos municípios do país.

Como usar o catálogo

Use cada prática como roteiro de método para a dimensão em que o seu município perde mais pontos. Leia a ressalva do Tribunal, porque ela mostra o próximo degrau. E confira o manual do seu Tribunal se você está fora de São Paulo. Para ver como quatro práticas do catálogo se conectam ao sistema único de execução orçamentária e financeira, acesse SIAFIC.

Fontes

Saiba o que o Tribunal vai ver antes do Tribunal

Solicite um diagnóstico gratuito do seu município nas sete dimensões do IEGM ou conheça a plataforma DIRECITY GOV.

Leia a seguir