Série IEGM · Parte 1 de 6

Gestão Pública e Compliance

O que é o IEGM e por que ele pesa na avaliação do prefeito

Publicado em 19 out 2026 · Atualizado em 19 de outubro de 2026 · 4 min de leitura · Autor: Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions
Painel de governança municipal e indicadores do IEGM na gestão pública brasileira

O prefeito costuma ouvir falar do IEGM em dois momentos: quando chega o prazo do questionário e quando sai a nota. Entre um e outro, o índice parece uma obrigação a mais. Não é. O IEGM é a forma como o Tribunal de Contas olha para a gestão inteira, e não só para a conta.

O que o índice mede

O Índice de Efetividade da Gestão Municipal mede se a prefeitura tem plano, estrutura, controle e entrega em sete áreas: educação, saúde, planejamento, gestão fiscal, meio ambiente, defesa civil e governança de tecnologia.

Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, 13/10/2025, cerimônia de 10 anos do índice: o IEG-M avalia as gestões municipais em sete áreas. O conselheiro Sidney Beraldo, coordenador e idealizador do índice, disse que o objetivo é que "a qualidade do gasto e do serviço melhore". O vice-presidente Dimas Ramalho afirmou que o controle externo deve "ir além de uma análise meramente formal das contas públicas".

A nota vem de duas fontes. Uma é o questionário que a própria prefeitura responde, com perguntas como "a prefeitura possui PDTIC vigente?" ou "todas as regiões do município são atendidas pela coleta seletiva?". A outra são dados que o Tribunal já tem, como execução orçamentária, cobertura vacinal e desempenho escolar. Por isso o IEGM não se resolve só no preenchimento.

Quem criou e onde se aplica

TCESP, 29/04/2016: o índice foi lançado em 2014 e teve os primeiros dados consolidados em 2015. Em 2016, o Instituto Rui Barbosa criou a Rede Nacional de Indicadores Públicos, a Rede Indicon, para levar o IEGM a todo o país.

Portal IEGM Brasil, do IRB, consultado em 19/10/2026: no exercício 2024, 18 unidades da federação participaram e 2.623 municípios responderam. Somados os 644 municípios paulistas avaliados pelo TCESP, que publica seus resultados à parte, são cerca de 3.267 prefeituras.

Como a nota é calculada

Cada dimensão vale até 1.000 pontos. A nota geral é a média ponderada das sete, com os pesos do manual do TCESP:

Dimensão Peso
Educação (i-Educ)20%
Saúde (i-Saúde)20%
Planejamento (i-Plan)20%
Gestão fiscal (i-Fiscal)20%
Meio ambiente (i-Amb)10%
Cidades protegidas (i-Cidade)5%
Governança de TI (i-Gov TI)5%

As faixas vão de A, altamente efetiva, a C, baixo nível de adequação. A faixa A exige 90% da nota máxima e pelo menos cinco dimensões em A.

Onde as prefeituras estão

No exercício 2024, nenhum dos 644 municípios paulistas chegou a A no IEGM geral. Três ficaram em B+, 97 em B, 261 em C+ e 283 em C. São 84,5% em C ou C+.

Houve melhora sobre o ano anterior. TCESP, 12/02/2025: no exercício 2023, a nota mais alta foi B, com 78 municípios, e 343 ficaram em C. No exercício 2024, a faixa C perdeu 60 municípios. A faixa A continua vazia.

Por que o prefeito deve se importar

Três razões práticas:

  1. É obrigatório. TCESP, Comunicado Audesp nº 10/2026, 25/03/2026: sem os questionários, a prefeitura não recebe o recibo de entrega das contas anuais, e a falta pode constar em certidões.
  2. Mostra o que a fiscalização vai olhar. As falhas que o IEGM revela são as mesmas que aparecem depois nos apontamentos do Tribunal.
  3. Separa intenção de entrega. O índice pergunta se o plano existe, se está vigente, se está publicado e se as metas estão sendo cumpridas. É um retrato do quanto a gestão consegue transformar decisão em resultado.

O que fazer com isso

O primeiro passo é ler o resultado do último ciclo quesito a quesito, e não pela média. Depois, separar o que é questionário do que é dado calculado, porque cada um pede uma ação diferente. O Guia do IEGM da Ana Smart traz as perguntas de maior peso em cada dimensão e os erros que mais custam pontos.

Fontes

Saiba o que o Tribunal vai ver antes do Tribunal

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