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Série PDTI vivo · Parte 13 de 17

Tecnologia e Cidades Inteligentes

Plataforma de planejamento municipal: integrada ou isolada?

28 out 202610 min de leituraPor Danilo Velloso, fundador e CEO da Ana Smart Solutions

O plano diretor de tecnologia é importante, mas é o menor dos problemas de um prefeito. O que um prefeito precisa é conceber e conduzir os projetos de uma gestão até o impacto real: diagnosticar, priorizar, planejar, captar, contratar, executar, prestar contas e mostrar resultado. O plano é um dos fios dessa trama, e só funciona se estiver costurado nos demais.

A pergunta deste artigo é como a prefeitura compra essa costura: ferramenta por ferramenta, ou uma plataforma de planejamento municipal que já a traz.

Como a prefeitura compra hoje

O Estudo Tecnologia, da Ana Smart Solutions (setembro de 2026), consultou o Portal Nacional de Contratações Públicas em doze buscas temáticas, consolidadas em nove temas: LGPD, plano diretor de tecnologia, SUS Digital, transparência ATRICON, ODS, IEGM, cidades inteligentes e ISO 37120, captação de recursos e gestão de projetos.

Na compra:

  • São 617 registros de contratos, consolidados em 573 contratos distintos. Em 530 deles, 92,5%, o objeto cobre um único tema.
  • Entre os 231 executivos municipais contratantes, 183 (79,2%) contrataram um único tema. A média é de 1,24 tema por município. Nenhum contratou mais de 4 dos 9.
  • Entre os municípios paulistas localizados, 35 de 47 (74,5%) contrataram um único tema.

Na oferta:

  • São 337 fornecedores distintos, identificados por CNPJ. Destes, 304 (90,2%) atuam em um único tema.
  • O máximo observado é de 4 dos 9 temas, por um único fornecedor.

Na duração:

  • A vigência mediana é de um ano, e 93,7% dos contratos terminam em até doze meses.

O PNCP é a base oficial de contratações do Brasil, e a divulgação de editais e contratos nele é obrigatória desde a Lei 14.133/2021. Partindo do princípio de que os entes cumprem a lei, a conclusão é direta: ninguém contratou, nessa base, uma solução que reúna as frentes. Não existe o produto nem a contratação. O que existe são poucas abordagens, cada uma cobrindo um tema.

O concorrente é uma funcionalidade

Isso não quer dizer que falte quem faça cada parte. Um contrato municipal de 2025, por exemplo, tem como objeto a frente de vínculo ao IEGM, e há fornecedores de LGPD, de transparência, de gestão de projetos, de painéis.

O que existe, cada vez, é uma funcionalidade de uma aplicação muito maior. Hoje não existe no mercado uma ferramenta que reúna todos os módulos e funcionalidades, principalmente com integração total e ganho de escala.

A conta da alternativa

Para atender à prefeitura pelo caminho fragmentado, seria preciso:

  1. Comprar cada ferramenta separadamente: uma para o plano, outra para LGPD, outra para captação, outra para projetos, outra para indicadores.
  2. Comprar uma plataforma de integração, para que as ferramentas conversem entre si.
  3. Comprar o trabalho de customizar e integrar: mapeamentos, conectores, testes, ajustes.
  4. Correr o risco de o conjunto não atender, porque a integração costurada é frágil, depende de quem a fez, e quebra a cada atualização de uma das partes.

Essa conta raramente aparece no estudo técnico preliminar. Cada contrato é avaliado por si, e o custo da costura fica invisível, distribuído entre a TI, as secretarias e o tempo de quem tenta fazer os sistemas conversarem.

Plataforma de planejamento municipal: o que o DIRECITY GOV reúne

O DIRECITY GOV é uma plataforma integrada de governança municipal, com 29 módulos organizados em dez frentes (catálogo de agosto de 2026). O plano de tecnologia é uma das funções. As demais cobrem o ciclo inteiro de uma gestão: diagnosticar, priorizar, captar, contratar, executar, prestar contas e mostrar resultado. Cada frente responde a uma pergunta que o prefeito faz.

FrentePergunta do prefeitoO que a plataforma tem hoje
1. Cortar desperdícioOnde estamos perdendo dinheiro?Fila de auditoria com triagem humana de achados gerados por IA, matriz de descoberta de gastos de TI e importação direta dos dados do TCE SP
2. Reduzir o custo da máquinaO que pode ficar mais barato?Raio-X financeiro do investimento em TIC por macrogrupo, com reconciliação entre o declarado ao tribunal e o auditado, e benchmark de preços com o PNCP Analytics
3. Achar dinheiroQue recurso ainda não usamos?Recursos do Fundo Nacional de Saúde, emendas parlamentares federais, convênios federais e parcerias do Transferegov, com identificação do recurso formalizado que ainda não teve empenho nem pagamento
4. Aumentar receitaOnde arrecadamos menos do que poderíamos?Em desenvolvimento: radar de eficiência fiscal e tributária
5. Aumentar a atratividade econômicaO que podemos captar de investimento?Banco de ideias e Viabilidade Studio, com VPL, TIR, payback e comparação de valor entre execução direta e PPP. Em desenvolvimento: minutas de chamamento, atas e concessão, e monitoramento de PPP
6. Priorizar investimentosO que dá para fazer sem quebrar o caixa?Gestão de projetos e PPP com Kanban e Gantt, inventário de necessidades com matriz GUT, matriz de vínculos com o plano de governo e painel fiscal da LRF
7. Evitar perdaOnde podemos perder dinheiro ou tomar apontamento?Matriz de riscos com mapa de calor, referenciada à ISO 31000 e à ISO 27005, e todo o Compliance Hub
8. Entregar resultadoComo executar e provar o resultado?Dashboard executivo e exportação do plano completo em Word
9. Preparar a cidade para certificaçãoComo comprovar que a cidade é inteligente?Indicadores das ISO 37120, 37122, 37123 e 37125, e dos ODS, com projetos desenhados para atingir esses indicadores
10. Atrair investimento privadoComo transformar resultado comprovado em capital privado?Dossiê composto pelo dashboard e pelo Viabilidade Studio

Por baixo das frentes há quatro blocos que sustentam o resto.

O Compliance Hub reúne nove telas de conformidade: painel fiscal com os limites da LRF, simulador do IEGM nas sete dimensões, transparência ATRICON e PNTP item a item, checklist de LGPD com evidências, SUS Digital, indicadores ISO 37120, 37122 e 37123, indicadores ESG da ISO 37125, indicadores dos ODS e um repositório de melhores práticas com minutas e modelos de documentos ligados a cada quesito.

O PNCP Analytics lê o Portal Nacional de Contratações Públicas e o Compras.gov.br. Faz a pesquisa de preços conforme a IN SEGES 65/2021, com mapa de preços em Excel e memória de cálculo em Word, compara o que a prefeitura paga com o que o mercado pratica e ajuda a detectar fracionamento de despesa.

A fundação do plano cobre o preâmbulo assistido por IA, a matriz SWOT, a governança com o comitê municipal de TI (minuta de portaria e atas de reunião), o plano de capacitação e o referencial estratégico ligado ao PPA.

O núcleo da plataforma traz o painel executivo, um assistente de IA que acompanha o usuário em todas as telas, perfis de acesso por função, a gestão de vários municípios e secretarias e um motor de IA que o próprio cliente pode configurar.

Os módulos podem ser vendidos separadamente. Mas há economia quando são agrupados e integrados, e a integração faz com que as ferramentas deixem de ser separáveis: o dado de uma sustenta a outra.

  • Quem compra o plano sem o acompanhamento de projetos recebe um documento.
  • Quem compra o acompanhamento de projetos sem o diagnóstico começa do zero.
  • Quem compra a captação sem o plano de prioridades capta sem rumo.
  • Quem compra a conformidade com a LGPD sem o inventário de sistemas descreve o que não conhece.

O ganho é em escala: cada módulo acrescentado aproveita o dado dos demais.

Os cinco elos da indissociabilidade

O estudo organiza a demonstração em cinco elos, cada um com evidência própria:

  1. Insumo compartilhado: as frentes consomem a mesma pessoa, o mesmo dado e a mesma evidência. Entre os municípios pequenos, 60,6% têm zero ou uma pessoa em tecnologia.
  2. Co-ocorrência: quem tem uma frente tende a ter as demais. Em 50 de 50 pares de indicadores testados, a diferença é positiva no universo de 644 municípios, e em 49 a diferença é significativa. Isso é associação, e a leitura é que a posse de um instrumento marca capacidade de gestão.
  3. Compra fragmentada: o município compra uma obrigação por vez.
  4. Oferta fragmentada: o mercado não oferece a coordenação.
  5. Consequência: a fragmentação aparece como obra parada, prazo perdido e prêmio de risco, segundo fontes institucionais como o FMI e o TCU.

Módulo avulso ou pacote

Para o gestor, a decisão prática tem três caminhos:

O primeiro é começar por um módulo, seja plano, captação, LGPD ou projetos. O módulo funciona sozinho. O ganho de escala aparece quando o segundo e o terceiro entram.

O segundo é contratar o conjunto. Quando o município quer conduzir a gestão inteira, a integração desde o início evita o retrabalho da costura posterior.

O terceiro é entrar por assessoria assistida por plataforma. Quando já existe uma contratação em curso, como assessoria em TIC ou em LGPD, a plataforma pode entrar incluída no preço do serviço, como instrumento de execução.

Em qualquer caso, o estudo técnico preliminar deve registrar as alternativas: ferramentas avulsas com integração, de um lado, e plataforma integrada, de outro, com a conta completa de cada uma.

O que este artigo não afirma

Não afirma economia em números, porque não há base de despesa municipal para estimá-la. Não afirma que integrar eleva a nota do IEGM, porque o desenho do estudo é transversal. Afirma o que o levantamento observa: a oferta e a compra estão fragmentadas, e a integração é o que falta.

A premissa de produto: tecnologia invisível

Por trás dos 29 módulos há uma premissa de desenho. O DIRECITY GOV se apoia em conceitos de CX, DX (experiência digital) e experiência do usuário para eliminar a fricção no uso da tecnologia por gestores públicos. Isso importa porque o prefeito e o secretário não são, em geral, especialistas em tecnologia, e uma plataforma que exige especialista para ser usada vira mais uma ferramenta parada.

O objetivo é aproximar quem é leigo em tecnologia e inovação das melhores soluções e práticas, e tornar fácil o planejamento e a execução, com ações alinhadas às regras dos órgãos reguladores, apoiadas em normas internacionais e em eficiência. Na prática, é a plataforma que carrega a complexidade das fontes e das normas (IEGM, ATRICON, LGPD, SUS Digital, ISO), e o gestor que se concentra em decidir. Um dos objetivos é transformar a experiência do cidadão no uso dos serviços públicos: o cidadão passa a receber uma prestação de serviços melhor, e o prefeito colhe uma avaliação melhor. É uma premissa de desenho e um objetivo. O estudo não mediu a experiência de uso, e nenhuma implantação longitudinal foi medida até aqui.

Perguntas frequentes

O que o DIRECITY GOV faz além do plano de tecnologia?

Reúne 29 módulos em dez frentes: auditoria e custo da despesa, captação de emendas, convênios e recursos do FNS, projetos e PPP, riscos, conformidade com IEGM, ATRICON, LGPD, SUS Digital e ISO, pesquisa de preços e painel fiscal. O plano é uma das funções.

Qual a diferença entre plataforma integrada e ferramentas isoladas?

Nas ferramentas isoladas, cada módulo é comprado, integrado e mantido à parte. Na plataforma integrada, o dado de um módulo sustenta o outro, e a integração já vem incluída.

O gestor precisa entender de tecnologia para usar o DIRECITY GOV?

A premissa do produto é que não. A tecnologia deve ser invisível, para que o gestor planeje e execute sem enfrentar a complexidade técnica. É um objetivo de desenho, ainda sem medição de experiência de uso.

Posso contratar só um módulo?

Sim. Os módulos podem ser vendidos separadamente. O ganho de escala aparece quando o segundo e o terceiro entram.

Integrar os sistemas eleva a nota do IEGM?

Este artigo não afirma isso, porque o desenho do estudo é transversal. Afirma que a oferta e a compra estão fragmentadas, e que a integração é o que falta.

Fontes

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